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Na sala

Bem-estar no trabalho: profissionais da Dengo Chocolates, Nomad e Conexa Saúde falam sobre o tema

Como tornar mais saudável a rotina de trabalho? Convidamos 3 profissionais que olham para o assunto para trocar uma ideia

por

Lidiane Faria

em

19 de julho de 2022

Tempo estimado de leitura: 8 minutos

Com índices de burnout e depressão por conta do trabalho cada vez mais altos, as empresas passaram a olhar para o bem-estar de seus colaboradores – algumas, criando até áreas dentro do RH para isso. Convidamos para a Sala três profissionais que olham para esse assunto para trocarem uma ideia. São elas: Juliana Esparza, Analista de Employer Branding na Nomad; Caroline Cabral, Gerente de Pessoas & Cultura na Dengo Chocolates; e Ana Paula Mendes, Especialista em Bem-Estar do Grupo Conexa.

-> Juliana Esparza (Nomad) pergunta para Caroline Cabral (Dengo Chocolates):

Na sua percepção, como a cultura de trabalho remoto pode impactar no bem-estar das pessoas?

O impacto do trabalho remoto nas pessoas não é homogêneo. É preciso considerar o contexto de partida de cada uma delas para compreender suas realidades e necessidades. Por exemplo: uma mulher pode não se beneficiar tanto do modelo remoto quando é a principal responsável pelos cuidados domésticos; assim como quem vive com pouca ou nenhuma estrutura para trabalhar em casa. Enfim, a lista de diferentes vivências e contextos é imensa.

Pontuado isto, falo aqui da minha própria experiência. Acredito que o trabalho remoto tem grande potencial de favorecer o bem-estar das pessoas, desde que considerados dois aspectos:

1 - motivação: por que remoto?
Se queremos pessoas saudáveis, a produtividade não deve ser a medida de tudo. O que quero dizer aqui é que a decisão pelo trabalho remoto não pode ser baseada apenas na produtividade - quando a organização só aceita o modelo remoto/híbrido desde que ele implique no aumento de produtividade ou então em nenhum impacto sobre ela. A mudança deveria se basear na busca por uma jornada de trabalho mais adequada à cada pessoa. É importante que as organizações estejam dispostas a rever suas crenças em relação à forma de se trabalhar.

O tempo perdido no deslocamento para o escritório, por exemplo, não deveria ser transformado em produzir ainda mais no trabalho, precisaria proporcionar mais qualidade de vida. Qualquer aresta de tempo pode se tornar tempo livre para si; para ler um livro, tomar um café da manhã demorado numa quarta-feira, passear com o cachorro, caminhar pelo bairro, dormir até mais tarde, colocar aquele projeto pessoal de pé... Enfim, este tempo "livre" precisa ser um tempo para pessoa, não para a organização. São esses movimentos que têm potencial de alavancar o bem-estar no trabalho.

2 - mentalidade: o que muda?
O remoto precisa estar atrelado a uma gestão baseada em confiança e comunicações assíncronas. Sem mudanças na forma de se comunicar e na forma de gerir, estamos simplesmente esperando que seja possível transferir a vivência de um escritório para uma casa, sem considerar que as rotinas e realidades dos lares são diversas. Quando essa migração de modelo é feita sem cuidado, acredito que o impacto seja bem negativo, gerando ansiedade, sobrecarga de trabalho e o sempre indesejável rompimento da fina linha que separa profissional e pessoal.

Assim, acredito que o papel da liderança é fundamental para a construção de uma cultura remota que potencialize o bem-estar das pessoas. Além de confiança e novas rotinas e meios de comunicação, é importante que a liderança tenha em mente que não existe uma dinâmica de trabalho que atenda todas as pessoas; daí a importância da escuta e do diálogo para construir esse caminho.

Por fim, para atrair e reter talentos que valorizam flexibilidade, liberdade e autonomia, o trabalho remoto pode ser um excelente diferencial da organização. Acredito que este modelo pode ser a trilha certa para quem, como eu, busca uma rotina leve e tenta garantir que o trabalho se encaixe na vida - e nunca o contrário.

-> Caroline Cabral (Dengo Chocolates) pergunta para Ana Paula Mendes (Conexa Saúde)

Na sua experiência, quais elementos da cultura organizacional mais impactam - positiva ou negativamente - no bem-estar das pessoas?

Humanizar as relações é um passo importantíssimo na jornada de criação de uma cultura de bem-estar, o que gera aumento da produtividade como consequência principal para o negócio.

É importante ter trocas maduras e transparentes, principalmente vindas da liderança, com foco em atingir um objetivo comum, seja ele da área ou da empresa como um todo. Um ambiente inseguro psicologicamente tende a prejudicar o bem-estar, impactando diretamente na performance individual e coletiva.

Dessa forma, locais em que o colaborador se sinta suportado e valorizado resultam na melhora do clima organizacional, tornando o trabalho mais leve, mesmo com as cobranças e estresses naturais do dia a dia.

Na Conexa, nós fazemos um trabalho com as lideranças chamado Sensibilização e Mobilização da Liderança, que é uma imersão em saúde mental com foco em autocuidado e criação de uma cultura de bem-estar. Primeiro, identificamos quais pontos precisam ser desenvolvidos através de testes e dinâmicas. Com base nos resultados, realizamos palestras e rodas de conversa com esses líderes, visando criar e recriar conceitos relacionado à segurança psicológica, saúde mental, empatia, confiança e temas relacionados. Com esse trabalho, empoderamos esses líderes a serem corresponsáveis pelo bem-estar das equipes, criando um ambiente seguro e pró-saúde. Por fim, construímos ações com os líderes para sustentar essa transformação. Criamos uma "brigada de saúde mental", que pode ser acionada quando surgir alguma questão no time e que é promotora da cultura de bem-estar internamente.

-> Ana Paula Mendes (Conexa Saúde) pergunta para Juliana Esparza (Nomad):

Qual é seu maior desafio hoje na implementação de uma cultura de bem-estar na sua empresa?

Quando cheguei na Nomad, já havia acontecido uma evolução no pacote de benefícios pensando no bem-estar e na felicidade das pessoas. Mas muito além do benefício flexível, licença paternidade e maternidade estendida e o trabalho remoto em si, as pessoas valorizam muito aqui dentro a liberdade e flexibilidade que possuem na própria rotina, seja tocando projetos ou escolhendo o melhor lugar e horário para trabalhar, por exemplo.

Como marca empregadora, hoje o meu maior desafio no tema bem-estar é manter e evoluir nossa cultura do acolhimento, com escuta ativa e diagnósticos que apontem ações e iniciativas para mantermos o nosso clima leve e divertido, mesmo com o crescimento do negócio.

Em outras empresas já apoiei no planejamento de ações de engajamento contando para as pessoas que “tá tudo bem você dedicar uma parte da sua rotina de trabalho pra meditar, ir treinar, jogar videogame, marcar a sua massagem ou até mesmo tomar um café”, por exemplo. E nós oferecíamos tudo isso no ambiente de trabalho para incentivar que as pessoas cuidassem de si. No cenário online, também já vivi o desafio de puxar um comitê com pessoas colaboradoras engajadas para tirarem do papel ações que influenciassem outras pessoas colaboradoras a terem uma rotina de trabalho remoto mais leve.

Acredito que a partir do momento que as normas e regras das empresas são humanizadas, somadas com uma cultura colaborativa, o clima leve e de confiança causa impacto positivo na hora de conduzir iniciativas de bem-estar que façam a diferença, de verdade, na vida das pessoas.

Lidiane Faria

Lidiane Faria é graduada em Relações Públicas e pós-graduada em Jornalismo. Tem experiência em startups de tecnologia, consultorias e emissoras de TV e adora ouvir pessoas incríveis.